Hoje é sexta-feira, início da noite, enquanto escrevo aqui, quando me faltam uns poucos minutos para entrar em sala de aula, para lecionar na Universidade Estadual acerca de um tópico que nada tem a ver com a minha Tese.
Aviso isso pra que ninguém pense que isto é um exercício diletante de perda de tempo de um acadêmico para quem sobra tempo até pra manter um blog e fazer um diário (não conheço nenhum acadêmico pra quem esteja sobrando tempo pra desperdiçar, aliás, nem sei se isso existe).
Decidi que ia começar esta série sobre o meu doutorado como parte de um outro projeto de diálogo e compartilhamento de experiências da vida acadêmica.

Especialmente no Doutorado, a experiência de escrever um trabalho complexo e autoral é muito solitária, mas tem sido ainda mais porque já concluí as disciplinas (tudo feito no primeiro ano), meu curso está situado numa Universidade Portuguesa (meus colegas de turma estão espalhados pelo Brasil e Portugal) e, pra completar, temos uma pandemia que fez cessar a oportunidade de passar umas temporadas na Universidade no final de 2020 e no final de 2021 também (até queria, mas pelo ritmo de vacinação desse nosso Brasil, já tirei dos planos esta possibilidade. Na verdade não estou contando com isso nem em 2022. Se der, será um bônus, mas não conto com isso).
O resultado é que o meu diálogo, além da minha orientadora, tem sido especialmente interno (eu falo comigo mesma, é isto mesmo!).
Eu mantenho um diário de pesquisa em que escrevo ao fim da realização de qualquer atividade, estudo ou escrita para o doutorado. Me ajuda muito a recuperar meus raciocínios, quando tenho um hiato entre os momentos que vou conseguir escrever (acontece o tempo todo, pois não consigo ainda escrever todos os dias e estudar todos os dias. Ontem e hoje, por exemplo, foi impossível ler uma página sequer, escrever um só parágrafo da tese).
Aqui quero fazer este diálogo não sobre o tópico de minha pesquisa, mas sobre os desafios de escrever meu trabalho. Tem sido muito desafiador. Nenhuma de minhas experiências anteriores se iguala a isso, especialmente porque desenvolvi modos e técnicas de ler, escrever e tenho testado o que leio sobre o que seriam boas práticas neste processo.
É sobre isto que meu diário vai falar e espero obter bons insights com este processo.